Filmes Reviews Atuais Matérias Assistimos – A Voz de Hind Rajab Por Leila Lombardo Postado em 19 de janeiro de 2026 10 min de leitura ”Os horrores da guerra narrados por uma menina de apenas 6 anos” “A Voz de Hind Rajab” (The Voice of Hind Rajab), dirigido por Kaouther Ben Hania, vem se destacando no cenário internacional. O longa conquistou o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2025, além de receber indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Para completar, a produção foi escolhida como representante oficial da Tunísia na disputa pelo Oscar 2026, reforçando seu impacto e reconhecimento global. Com distribuição da Synapse Distribution, A Voz de Hind Rajab estreia nos cinemas brasileiros em 29 de janeiro. Mas, antes de te convidarmos a assistir ao trailer, vai um alerta importante: embora o filme não apresente imagens chocantes, ele pode provocar ansiedade e mal-estar. Ainda assim, em um momento de crescente discurso mundial pró-guerra, narrativas como essa se tornam necessárias. Portanto, confira o trailer abaixo: ENREDO A Voz de Hind Rajab é um documentário construído a partir de gravações reais dos diálogos entre Hind e a equipe de voluntários do Crescente Vermelho. Hind é uma menina palestina que fica presa durante um ataque na Faixa de Gaza, em janeiro de 2024. Naquele momento, sua família tentava deixar a cidade de carro. No entanto, a fuga é interrompida quando o exército israelense abre fogo contra o veículo. De acordo com o relato da própria menina, todos os outros passageiros morrem. Em meio ao desespero, Hind consegue entrar em contato com o serviço de voluntários do Crescente Vermelho. A partir daí, a narrativa se desenvolve. Enquanto tentam acalmar a criança, os atendentes precisam agir com extremo cuidado. Ao mesmo tempo, eles mantêm a racionalidade para evitar decisões que coloquem Hind — ou os próprios socorristas — em ainda mais perigo. Por isso, a primeira ação é solicitar autorização à Cruz Vermelha para que uma ambulância possa seguir até o local onde a menina está escondida. Com o avanço da trama, a tensão aumenta de forma visível. Aos poucos, os atendentes também passam a demonstrar desespero. Eles discutem entre si e com representantes de outros serviços de emergência, revelando o peso emocional e a urgência da situação. Já na parte final da trama, o documentário deixa claro que o exército israelense abre fogo contra a ambulância do Crescente Vermelho. O ataque mata os dois socorristas, Yusuf al-Zeino e Ahmed al-Madhoun, que estavam a poucos metros de Hind. Durante a ligação telefônica, a menina relata que ouviu disparos. Logo depois, a chamada cai em silêncio. Os corpos dos tios, primos e da própria Hind, assim como os dos socorristas, só puderam ser recuperados pelas famílias em 10 de fevereiro de 2024, doze dias após o ocorrido. FOTOGRAFIA O filme se passa inteiramente dentro do escritório do serviço de socorro do Crescente Vermelho, escolha que intensifica ainda mais a sensação de claustrofobia e impotência. A fotografia acompanha essa proposta com extrema precisão. A câmera é contida, muitas vezes fixa ou com movimentos mínimos, reforçando a ideia de confinamento e a impossibilidade de ação direta diante da tragédia que se desenrola do outro lado da linha telefônica. A iluminação é fria e funcional, típica de um ambiente de trabalho, mas ganha um peso dramático ao contrastar com a gravidade das conversas. Não há estilização excessiva: a fotografia aposta no realismo cru, deixando que expressões, silêncios e olhares carreguem a emoção da narrativa. Close-ups frequentes capturam o desgaste emocional dos atendentes, enquanto planos mais abertos revelam a tensão coletiva do espaço. Esse cuidado visual fortalece a imersão do espectador, que passa a sentir a mesma angústia dos personagens. A fotografia não busca embelezar o horror, mas sim amplificar sua presença, tornando cada minuto de espera mais pesado e cada decisão ainda mais dolorosa. VALE A PENA? Não digo que “vale a pena”, porque nunca é confortável — ou agradável — falar sobre guerra. No entanto, é algo profundamente necessário, sobretudo em um período em que ataques a democracias, territórios e populações civis se tornam cada vez mais comuns e, pior, passam a ser tratados com ares de heroísmo. A romantização dos conflitos é um perigo real e precisa ser combatida de forma constante e incisiva. Para isso, a arte assume um papel fundamental: o de denunciar, expor e confrontar as atrocidades que acontecem nesses cenários, sem filtros ou glorificações. Dessa forma, A Voz de Hind Rajab não se apresenta como entretenimento, mas como um dever. É uma obra essencial para qualquer cidadão comprometido com a esperança de dias melhores, justiça e responsabilidade histórica. Inscreva-se no nosso canal do Youtube e da Twitch! Conheça também o nosso podcast: Playzuandocast, o podcast da zueira e dos games! Disponível no iTunes, Deezer, Google Podcasts, além do Amazon Music e Spotify! Quer que algum jogo ou série que você conhece seja pauta nossa? Então nos mande uma mensagem através do e-mail, do formulário fale conosco ou nossas redes sociais @playzuandoCompartilhe isso: Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no X(abre em nova janela) X